segunda-feira, 27 de outubro de 2008

O prédio que o MASP quer esconder



Todo mundo conhece o MASP pelas suas exposições e por ser um dos principais museus da América Latina (conseqüentemente do mundo). Porém, além dos desmandos administrativos que nos últimos anos levaram o prédio que abriga obras de valor inestimável conforme amplamente noticiado na imprensa, a administração do museu leva para além de suas paredes a má qualidade de sua gestão.

Segundo reportagem da Revista da Folha, do jornal Folha de São Paulo, o edifício Dumont-Adams que fica no número 1510 da Avenida Paulista está, como vocês podem ver na foto acima, completamente abandonado. O que o MASP tem com isso? Bem, a Vivo doou o imóvel para o museu e, como visto, o padrão MASP de gestão vem sendo aplicado com sucesso.

A pergunta é: se um edifício com uma arquitetura maravilhosa como essa, construído em num local que possui um dos metros quadrados mais valorizados do mundo está neste estado, na cara de todo mundo, imagine a situação de outros edifícios por aí. O que vai ser preciso para se tomar uma providência? O movimento dos sem teto invadir ou colocarem um colete salva vidas em torno do prédio, como fizeram com vários monumentos da cidade, para as pessoas se tocarem de que algo precisa ser feito?

A matéria (revoltante) está disponível neste aqui, mas só para assinantes do jornal.

2 comentários:

Flávia Durante disse...

Edifício Dumont-Adams - Av. Paulista, 1.510
A direção do Masp, a quem pertence o edifício da esquina da avenida Paulista com a alameda Casa Branca, não quis falar sobre o assunto nem permitiu visitas. Mas esconder o prédio abandonado é impossível. O Dumont-Adams, doado ao museu pela Vivo, continua lá, uma construção-fantasma na mais emblemática via da capital. Vazio e deteriorado por dentro, pichado por fora.

O projeto que a direção do museu tinha para aquele terreno era erguer uma torre com fachada de vidro. No novo empreendimento, funcionaria uma espécie de escola de artes e escritórios. Mas o desenho não foi aprovado pelo Conpresp, porque o edifício poderia interferir de "forma radical" na escala de um bem tombado, que é o próprio prédio do Masp, projetado por Lina Bo Bardi.

Um jovem arquiteto que invadiu o prédio há pouco -e prefere não ser identificado- faz uma boa descrição do imóvel. Foi uma forma de saber como é seu interior, hoje habitado por um segurança. "Do primeiro andar para cima, está tudo destruído. São dois apartamentos por andar e, no último, tem um salão de festa bonito, com uma supervista."

O hall de entrada, com mármore no piso e nas paredes, parece bem conservado. Os elevadores têm portas de madeira maciça. Nas residências, muitas paredes e pisos estão mofados. As portas dos apartamentos ficam abertas. Também há vestígios da vida dos antigos moradores: jornais, garrafas, cortinas, tapetes e até um singelo vaso de planta no beiral de uma janela semi-aberta.

A antiga proprietária, Maria Helena Dumont Adams, 72, conta mais sobre o esvaziamento. "Depois que meu pai morreu, passamos um tempo decidindo com quem ia ficar a propriedade. Enquanto isso, fomos esvaziando ele aos poucos, para poder vendê-lo. Demorou uns dez anos."

Boa parte de sua vida Maria Helena passou naquele endereço. Quando se casou, foi morar lá, em apartamento vizinho ao de seu pai, que havia vendido uma de suas fazendas para erguer o residencial nos anos 50. "Lembro que o canteiro central da Paulista era cheio de ipês roxos." Se ela sente saudades do prédio? "Não fico triste. Já mudei várias vezes. Não me apego a imóveis."

Pelo jeito nem os atuais donos. Procurados pela Revista, nem a direção do Masp nem a Vivo se pronunciaram sobre o destino do edifício.

Rosemar Prota disse...

Um destino perfeito para o predio seria reformalo e fazer uma extensão do masp com um acervo sobre a avenida paulista e seus casaroes.
Fazer uma escola de arte seria perfeito.
E poderia fazer um cafe com o estilo dos anos 30.