sábado, 7 de novembro de 2009

Uniban, Geisy e a culpa que os professores de historia devem sentir

A Uniban (Universidade Bandeirante) decidiu expulsar a aluna Geisy Arruda por "postura incompatível com o ambiente da universidade, frequentando as dependências da unidade em trajes inadequados" em anúncio veiculados nos jornais do domingo dia 08 de novembro (e que e já estão nas bancas hoje dia 07).

É o fim da picada. Uma mulher é acuada por uma horda de bárbaros (e bárbaras) que alegam, sem retroceder um milímetro no seu argumento, que tiveram essa atitude porque ela os provocou usando um vestido curto e que deixava parte de seu corpo a mostra de forma sensual. O tumulto está no vídeo abaixo:



Mesmo se Geisy estivesse completamente nua, não justificaria a ação absurda dos alunos. O que aconteceu foi um escândalo. Um retrocesso na luta das mulheres pelo seu direito de liberdade. Não é possível que nenhum professor da Uniban repudie publicamente essa atitude e a da universidade em nome de manterem seus empregos. Especial mente os professores de história. E eu explico porque...

É no curso de história que se deve aprender como foi a luta das mulheres ao longo dos tempos para se igualarem aos homens, terem os mesmo direitos de liberdade, de ir e vir. De se vestir. É no curso de história que aprendemos que as mulheres eram queimadas no tempo da inquisição pelo simples fatos de terem cabelos vermelhos. Milhares morreram nas fogueiras acusadas de serem bruxas.

É no curso de história que se aprende que as mulheres lutaram bravamente pelo direito ao voto, pelo direito de se candidatarem a cargos públicos, de serem aeromoças, de irem trabalhar fora de casa. É no curso de história que aprendemos que as escravas sensuais eram massacradas pelas suas "donas". São clássicos os episódios que Gilberto Freyre descreve os castigos sádicos que eram aplicados pelas brancas que não conseguiam exalar a mesma sensualidade que as negras conseguiam: tinham seus dentes destruídos com o salto dos sapatos. Tinham seus olhos arrancados e servidos como acompanhamento no momento do jantar. Eram emparedadas vivas.

Geysa Arruda está sofrendo exatamente o mesmo processo. "Puta", "vagabunda", "aproveitadora"? Não sei. O que tenho certeza é que nós que militamos na área de história não podemos nos calar. Se a situação da Uniban chegou onde chegou é porque centenas de professores de história falharam quando deram aulas para aquele bando de alunos em algum momento de suas vidas e não foi claro o suficiente ao demonstrar que absurdos com os que descrevi acima jamais poderiam acontecer novamente.

Sim historiadores. Temos uma parcela de culpa no cartório no caso Geysa da Uniban...

3 comentários:

Miguel Netto disse...

Essa história ainda está mal contada, mas seja como for, a Universidade deve ser um ambiente livre para toda e qualquer manifestação. Concordo que mesmo que estivesse completamente nua a estudante JAMAIS deveria ser expulsa. A Uniban dá mostra que não tem o menor espírito universitário e que os alunos que "deram pilha" nesse episódio não passam de um bando de babacas.

Mimus da Ma disse...

Nossa to mais envergonhada pelos comentários chulos de algumas mocinhas .
“ ELA TEM QUE CRIAR VERGONHA”, “ELA QUER SE APARECER", "QUER SUBIR NA VIDA..." pra mim essas mocinhas são estudantes dessa famigerada faculdade, e estavam La no meio do povão avacalhando com a Geysa.
Concordo que ela tenha exagerado na roupa, mas isso não da o direito do povão fazer dela uma Maria Madalena, pois só faltaram as pedras, se a polícia demorasse, tenho certeza que essa moça estaria hj no cemitério. Se a tal faculdade é uma instituição de ensino, o que faziam mais de 700 alunos atrás de uma aluna, se aglomerando na porta da sala dela? vcs alunos que fizeram parte deste show de horrores deveriam ser expulsos Tb, afinal vcs estavam fazendo ok, (estudando)?
E moçoilas dos comentários acima tem tantas que se vestem adequadamente e vivem empinando o rabinho pelos corredores... Doidas pra serem enquadradas no final da aula, e os nóias cheirando um nos banheiros? chegam de hipocrisia.

Robson Leandro da Silva disse...

Tem razão Mimus, concordo com você. Independente da roupa da aluna, o ato agressivo dos alunos não se justifica. Esses "pseudos" alunos devem ser os mesmos que são a favor de quimar mendigos, índios, etc...