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sábado, 7 de novembro de 2009

Parque do Carmo

O Parque do Carmo tem 1,5 milhão de metros quadrados. Fica no bairro de Itaquera, Zona Leste de São Paulo. E, apesar de não ser tão badalado quanto o Ibirapuera ou o Vila Lobos é, sem dúvida um dos lugares mais bonitos da cidade.

Além disso, esse parque é um lugar de memória. Na sua topografia e no seu desenho estão as marcas da história da cidade. Um dos erros mais comum quando se fala da história de São Paulo é pensar apenas no centro histórico, ignorando completamente outras áreas da cidade. Escolas e faculdades dos bairros não enxergam a possibilidade de um aprendizado mais rico tornando os alunos verdadeiros historiadores-arqueólogos que investiguem a história da cidade de do país a partir do "quintal" de sua casa.

Algumas fotos que fiz no último feriado estão aqui.



Reproduzo aqui o texto que está no site Preservação Ambiental:

Histórico do Parque do Carmo

Todo o município de São Paulo já foi coberto por algum tipo de vegetação, e a vegetação mais significativa, e que cobria a maior parte de nossa cidade, era a floresta de Mata Atlântica, mata esta, que recebe influência do Oceano Atlântico, daí vem seu nome.

Os primeiros ocupantes desta região foram três tribos indígenas, Itaquerús que originou o nome do bairro de Itaquera, Guaianás que originou o nome do bairro de guaianases e Caaguaçús, Com o decorrer do tempo vieram para esta região uma Ordem católica chamada de Ordem Terceira do Carmo Fluminense, que todos conheciam como Ordem dos Carmelitas. Eles tinham o intuito de catequizar os índios que aqui habitavam, e mostrar alguns de seus costumes, este choque cultural não aceito pelos índios teve o resultado de fuga destes para terras mais distantes.

Então, a Ordem Carmelita usufruiu bastante destas terras transformando-a em "Fazenda Caaguaçu" (para os índios este nome significava Mata Grande) no ano de 1722. (Caaguaçu era uma das tribos que habitaram esta região e mais recente o antigo nome da avenida principal do Carmo que hoje se chama Av. Afonso Sampaio e Souza).
A exploração agrícola e a criação de gado foram as principais atividades desenvolvidas na fazenda. Grande parte da área foi devastada para o plantio. A substituição da mata original pelos produtos agrícolas, modificou o ecossistema da região, destruindo o habitat dos animais.

Em 1919 a fazenda foi vendida para a Companhia Pastoril e Agrícola, de propriedade do Coronel Bento Pires, que deu continuidade a criação de gado e principalmente o plantio de café, que tinha sua produção facilmente escoada pelo aproveitamento da ferrovia que passava perto de sua fazenda, e que foi trazida até estas terras pelo engenheiro Artur AlvÍm.

Na década de 20, Bento Pires começa o que seria o primeiro processo de loteamento das terras da fazenda. Parte destas terras hoje é a Vila Carmosina e a Cidade Líder, e o que restou destas terras passou a se_chamar "Fazenda do Carmo". Nesta mesma época inicia-se a colonização japonesa, incentivada pelo coronel Bento Pires. Seu interesse era a formação de pequenas propriedades produtivas e que tivessem mão de obra especializada para fomentar o desenvolvimento agrícola da localidade.

Já na década de 40, houve no Brasil a revolução industrial, o que fez o café perder o valor, assim sendo, o Coronel Bento Pires resolveu vender parte de suas terras para um engenheiro de construção civil da CBPO (Companhia Brasileira de Projetos e Obras), o Sr. Oscar Americano de Caldas Filho; este por sua vez loteou e vendeu parte desta propriedade. Na época existiu até um slogan que dizia "Venham morar no Morumbi da Zona Leste", pois os lotes eram grandes, justamente no intuito de atrair pessoas da classe média e alta e assim, valorizar mais ainda o restante de suas terras. Essas terras loteadas fazem parte atualmente do Jardim Nossa Senhora do Carmo, que em alguns pontos é conhecido como Morumbizinho.

Oscar Americano também plantou algumas espécies de eucaliptos e pinheiro (pinnus) para fazer experiências no uso destas madeiras para confecção de dormentes, mas que as pesquisas mostraram que não eram propícias para este fim. Ele transformou o restante das terras em área de lazer particular para passar os finais de semana com a família, e começou a fazer algumas mudanças nestas terras.

Reformou e aumentou o tamanho do Casarão (hoje o CEA CARMO), onde ficou sendo a sede da fazenda e sua casa principal, ao lado direito da casa existe até hoje uma igueira, que na época tinha a valor de dar status para o ocupante daquela construção, e para mostrar que ali vivia o dono da fazenda; construi também uma casa ao lado da principal, que era usada pelos empregados da fazenda; fez a casa das crianças e babás (hoje sede da GCM), fez também a piscina da fazenda (hoje local de recepção de escolas e instituições para trabalhos no CEA CARMO), e construi a casa dos hóspedes (hoje sede da Administração do Parque) e um prédio redondo, que era um espaço de lazer e jogos,_e aproveitando a geografia da fazenda, represou o córrego principal e fez uma barragem, onde construiu um lago artificial que ele usava para práticas de esportes náuticos nos finais de semana. Hoje este lago é uma das principais atração do parque, com diversas espécies de peixes, cisnes, marrecos, gansos, aves migratórias e uma imensa diversidade de vida.

Oscar Americano faleceu em 1974 e anos depois; sem muito interesses por esta fazenda, seus herdeiros resolveram vendê-la. Uma parte ficou com a Prefeitura e outra (a maior) ficou com a COHAB.

A Prefeitura fez algumas benfeitorias nesta fazenda, aproveitando muitos equipamentos da época da fazenda, e construiu banheiros, playground, churrasqueiras, e áreas de descanso. O Parque do Carmo ,foi inaugurado em 19 de setembro de 1976, e conta hoje com uma área de pouco mais de 1,5 milhão de metros quadrados, tornandose o terceiro maior parque municipal da cidade de São Paulo'

domingo, 13 de setembro de 2009

Festival de Cultura Paulista - Parque da Água Branca

Todo mundo já ouviu falar em algum momento que o estado de São Paulo é maior do que a Bélgica, e outros países da Europa. O que não vem junto com essa afirmação, é o seguinte raciocínio: se São Paulo tem todo esse tamanho, o que rola com toda a cultura que está nesse território?

O Governo do Estado de São Paulo teve uma bela iniciativa para colaborar nessa distância entre capital e inteiror e organizou o Festival de Cultura Paulista. Sexta-feira dia 11 foi aberta a décima terceira edição.

Estive lá hoje. Fiquei muito feliz em ver as milhares de pessoas que foram lá interessadas em provar os pratos típicos, comprar artesanato e ver espetáculos de danças típicas. Fiz algumas fotos que podem ser vistas aqui:

Festival de Cultura Paulista - Parque da Água Branca

domingo, 30 de agosto de 2009

As transformações que apagam as memórias


Imagine o dia do seu casamento. Imagine o momento da foto do casal que vai eternizar aquela felicidade. Certamento o cenário escolhido será o mais importante e bonito para que sirva de moldura para esse sentimento...

Até os anos 60, a "Fonte São Pedro" era esse lugar. Localizada na região conhecida como "fazendinha" na região do Tremembé onde hoje fica a avenida Maria Amália Lopes de Azevedo. Os casais que moravam na região iam até lá e eram fotografados.

Hoje o local está completamente abandonado. Um supermercado foi construído bem em frente no final dos anos 70. Hoje a rede propiretária do local é o Sonda Supermercados. Que usa a construção histórica como depósito de caixas de madeira.

Estive lá ontem à noite quando fiz a foto acima na cara e na coragem. Hoje, dia de sol e calor, voltei ao local para fotografar novamente, inclusive a queda d´água que fica ao lado. Fui até a gerência para obter mais informações e uma autorização para fazer as fotos. Ninguém soube me informar nada a respeito. A única informação certeira: fotos do local só com autorização.

Pergunto: o Condephat está de olho nesse patrimônio histórico do bairro? A rede de supermercados Sonda pode utilizar uma consturção histórica como depósito de caixas de madeira, colocar um portão e impedir o acesso público ao local?

Talvez o que ainda mantenha o local de pé são as orações dessa "senhorinha" (sic) que está na foto.

Vá lá e veja pessoalmente. O endereço é: Avenida Maria Amália Lopes de Azevedo, 1251 - Tremembé.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Arquitetura de São Paulo nos anos 40




Eram tempos de modernização. Próximo do 4° centenário, São Paulo vivia um momento de demolir o máximo de traços da cidade antiga e demonstrar que a cidade era a metrópole do futuro. O fórum do grupo Preserva São Paulo, através do Jorge Eduardo, disponibilizou várias imagens como a do Edifício Brasilar que está postada aqui, escaneada na Revista Acrópole. 

São edifícios que hoje estão completamente abandonados, outros foram demolidos, o que mostra a falta de cuidado com a preservação da memória da cidade. Mesmo em se tratando de edifícios que foram agentes, em alguns casos, também da destruição de memórias anteriores. 

A página completa com todas as fotos podem ser vistas aqui. 

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O monstro da Penha



Dias atrás, foi postada na lista de discussão do grupo Preserva São Paulo uma mensagem alertando para construção de um edifício exatamente em frente a histórica e tradicional catedral da Penha. Passando de trem consegui fotografar. Na imagem dá para perceber o absurdo arquitetônico que vai "esconder" umas dos mais antigos marcos da cidade de São Paulo. 

Foi naquela colina, por exemplo, que D. Pedro I avistou a cidade de São Paulo pouco antes de proclamar a independência do Brasil. A cidade estava agitada e, aconselhado por alguns de seus assistentes, decidiu permanecer ali até que tudo se acalmasse e ele pudesse entrar na cidade. 

Mas, pra quê preservar esse local não é mesmo? Deixemos que a volúpia imobiliária tome conta da paisagem de nossa cidade.  

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

São Paulo, 1943.



O vídeo acima foi produzido pelo então "Escritório de Relações Exteriores dos Estados Unidos da América". o que na época era uma propaganda, hoje se tornu um documento histórico mostrando alguns aspectos da São Paulo de 1943. Naquele momento, a cidade já era considerada a segunda em importância no país com seus "extraordinários" 1.300.000 habitantes.

Vale a pena observar as permanências e mudanças depois de 66 anos.

* Peguei a dica na Poplist. :)

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

O cemitério mais antigo de São Paulo

O leitor do blog que se identifica como EGS, corrige a informação que eu postei aqui anunciando o passeio que acontecerá no dia 25 de janeiro no Cemitério da Consolação. No texto, existe a informação de que aquele cemitério é o mais antigo da cidade. Ele me envia o link da prefeitura que diz a informação contrária:

http://portal.prefeitura.sp.gov.br/subprefeituras/sppa/dados/historico/0002

Colônia preserva antigo cemitério em Parelheiros

Cemitério da colônia alemã, do início do século XIX, foi incluído pela população como Zona Especial de Preservação Cultural.


Por determinação do governo imperial, um grupo de 200 imigrantes chegou a São Paulo em 1827. Eram alemães, austríacos e suíços que vinham para o estabelecimento de uma colônia agrícola. Depois de um ano de estudos e discussões sobre o local onde deveria ser instalada a colônia, o governo provincial optou por uma área a cerca de 50 km da cidade, que ficou conhecida como Colônia Alemã.

Entre os imigrantes havia católicos e protestantes, o que gerou vários conflitos e a criação de um cemitério para os últimos. O cemitério integrava um pequeno núcleo formado por casas de taipa ou madeira e uma igreja de traços simples.

Sem o apoio do governo e enfrentando toda sorte de dificuldades, a colônia entrou em rápida decadência, levando muitos a deixarem a região. Mais de um século depois, durante a Segunda Guerra Mundial, a denominação Colônia Alemã foi substituída por Colônia Paulista, ou, simplesmente, Colônia.

Em 1966, a Prefeitura desativou o antigo cemitério, em virtude de seu estado de abandono. A medida, no entanto, desencadeou um movimento por parte da comunidade alemã de São Paulo, em prol da sua preservação e restauro. Ainda hoje, as campas conservam o padrão construtivo do século XIX, com lápides de mármore e cabeceiras altas. Recentemente, a parte mais elevada do cemitério passou a ser usada para novos sepultamentos.

Em meados dos anos 1970, um dos cemitérios mais antigos da cidade e marco da imigração alemã em São Paulo foi protegido por legislação de zoneamento. Em 2004, foi incluído pela população como ZEPEC (Zona Especial de Preservação Cultural) no Plano Regional Estratégico das Subprefeituras.


Fonte: Departamento do Patrimônio Histórico



Obrigado ao EGS pela correção.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Nuvem Nove

Em 2000 estava em um ônibus saindo do trabalho na Vila Olímpia indo para o centro da cidade. No caminho, o ônibus passou em frente a uma loja de discos chamada "Nuvem Nove". O que me chamou a atenção foi a quantidade de cds raros que estavam expostos no vidro. Pensei: "amanhã eu volto aqui".

E fui. E virei freguês. Não tão assíduo como gostaria, mas pelo menos uma vez por mês eu passava lá para comprar cds. Mas só os raros. Lá eu adquiri o "Rock and Roll Circus", o primeiro do Velvet, um box duplo de bandas psicodélicas de São Francisco... e o meu cd número 1000 (The Jimi Hendrix Experience).

Eu gostava de lá. O atendimento era muito bom. As pessoas conheciam as bandas, os discos.

Por conta da internet deixei de comprar discos. Em 2004 comecei a usar banda larga e, desde então, só tenho feito downloads. Esse ano alguém me pediu endereço de um sebo para comprar discos. Diparei: "vai na Nuvem Nove". Alguém disse: "fechou". Sofri um baque. Como assim a Nuvem Nove fechou????

Fechou mesmo. Os tempos mudaram. Hoje as pessoas armazenam mp3 em hds (meu caso) ou carregam toda sua coleção de discos no bolso (meu caso também). Esse, acredito, deve ter sido o fator determinante para o fim da loja de discos que eu mais gostava, e que de certa forma, ajudei a matar.

Navegando no Orkut, entrei na comunidade da revista Bizz e vi um tópico chamado "Nuvem Nove - Documentário" disponibilizando o link para o Vimeo onde está "pendurado" um filme de 90 minutos dividido em duas partes sobre a loja. Com depoimentos de gente que frenquentava a loja como Fábio Massari, Kid Vinil, Marcelo Nova, Sérgio Martins e dos funcionários da loja.

Não se trata de um bando de saudosistas reclamando da invasão do mp3. É um relato de uma época recente que terminou. É sobretudo a história de um empreendedor que disponibilizava a sua coleção para troca e venda e fazia, de cada um que entrava naquela loja, um amigo. É Parte da história da cidade.

Assita.


Parte 1


SAUDADES DA NUVEM NOVE parte 01 from paulo beto on Vimeo.

Parte 2


SAUDADES DA NUVEM NOVE parte 02 from paulo beto on Vimeo.

terça-feira, 4 de março de 2008

Monteiro Lobato e a "invenção" dos caipiras




"E aí caipira, tudo bem?"

"Epa, caipira não! Mais respeito..."

Experimente chamar alguém de caipira. Certamente a reação seria mais ou menos como a do diálogo acima. O termo "caipira" ganhou nas últimas décadas, significado de pessoa atrasada, sem ligação com os costumes da modernidade, preguiçoso, que só gosta de música sertaneja, que não fala corretamente (ou entorta) o "R" . Dificilmente alguém se autodenomina "caipira".

Por incrível que pareça, a origem da marginalização do termo "caipira", começou com um gênio de nossa cultura: Monteiro Lobato que, inconformado com o atraso do Brasil em relação a outras nações do mundo, culpava o espírito tranqüilo de quem morava no campo e acabou por retratá-las como pessoas preguiçosas, ignorantes, "sem higiene", "feias", e "anti-sociais".

Em 1918 ele lançou um livro chamado "Urupês", onde ele fazia todas as críticas possíveis ao homem do campo. Apesar de também ser um cidadão caipira, ele aplicou aos textos que escrevia o olhar daqueles que vivem na casa grande. Um trecho do primeiro número da revista reforça essas idéias: "Caboclo é o sombrio urupê... só ele não fala, não ri, não ama. Só ele, no meio de tanta vida, não vive."


Quatro anos depois, o escritor lançou uma nova obra que marcou para sempre a figura dos caipiras: "Jeca Tatu". Até hoje, em alguns lugares, pessoas que não se encaixam num determinado comportamento social são chamadas de "jecas".


O que Monteiro Lobato não sabia e pouca gente sabe é que ser caipira é motivo de orgulho, pois praticamente traduz toda uma cultura interiorana que até hoje se mantém viva no interior de São Paulo. Prova disso são as festas juninas que invadem as chamadas cidades grandes no período de junho e julho, o que inclui a capital paulistana na lista. O interior, com sua gente de espírito trabalhador e que alimenta os grandes centros, ajuda a promover o desenvolvimento não só de São Paulo, mas de todo Brasil.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

A cama do sr. Amâncio


Ilustração de Danielle Joanes

Um amigo seu, que mora em outra cidade, te convidou para ir na festa de aniversário dele. Como a cidade fica muito longe, você acaba tendo que dormir por lá. No quarto de hóspedes tem uma cama sobrando e você descansa lá até o dia seguinte.

Simples não? Se você ainda não passou por essa situação, certamente passará. Caso não tenha uma cama sobrando, sempre tem um sofá ou colchão amigo para quebrar o galho. Bem, na São Paulo do século XVII a coisa não era bem assim. Aliás, era muito, mas muito diferente.
Em 1620, chegou em São Paulo o sr. Amâncio Rebelo Coelho, que era ouvidor geral das cortes portuguesas. O cargo de ouvidor era um dos mais importantes do país, afinal de contas, a pessoa que exercia essa função era escolhida diretamente pelo rei. Uma das obrigações do ouvidor era ir até as vilas verificar se estava tudo em ordem, se não havia nenhum crime que estivesse sendo cometido ou criminosos sem punição. Já deu para perceber a importância que o sr. Amâncio tinha.

Chegar em São Paulo não era tarefa fácil. As pessoas tinham que subir a Serra do Mar a pé, ou melhor, engatinhando porque a montanha era muito inclinada e o caminho tortuoso. Logo, qualquer ser humano que enfrentasse essa viagem precisaria, antes de fazer qualquer coisa, de um merecido descanso. Só havia um probleminha: na vila de São Paulo faltavam muitas coisas naquela época, principalmente camas.

Quem morava por aqui dormia no chão ou numa espécie de rede. Com a chegada de uma pessoa tão importante na cidade, a Câmara Municipal começou a procurar um local onde houvesse uma cama para que o ouvidor pudesse descansar. Foi encontrada uma única cama, que pertencia ao sr. Gonçalo Pires... que não quis emprestar o móvel.

Não adiantou nem ameaçar o dono da cama com palavras de ordem em nome do rei. Ninguém conseguia convencer o sr. Gonçalo. Depois de tanto receber negativas, a Câmara apelou para a força: juntou um grupo de soldados que invadiram a casa onde estava a cama e retiram-na à força. Praticamente um seqüestro.

Resolvido o problema, certo? Nada disso... Depois que o ouvidor saiu da vila, a Câmara foi devolver os pertences do sr. Gonçalo, que não queria receber de volta. Segundo ele, seus pertences estavam diferentes de quando eles haviam tomado “emprestado” e exigiu uma indenização por perdas e danos. Uma perícia foi convocada e constatou que só o lençol estava diferente (leia-se sujo). A Câmara ordenou que fosse lavado e pago um valor referente a um aluguel que compensasse o empréstimo.

Nosso amigo Gonçalo estava irredutível. Continuava não aceitando nem os pertences e nem o valor estipulado. Chegou a se esconder para não receber o oficial do município, que estava responsável por resolver a questão. Certamente nosso amigo queria receber uma indenização bem gorda. Fato é que não se sabe até hoje se ele recebeu ou não esse dinheiro ou se aceitou a cama de volta. Mas deu para imaginar como era a vida sem cama em São Paulo naquela época...

Publicado originalmente na seção Acessa História do programa Acessa São Paulo.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Compra-se gente

No último dia 20 de novembro, lembramos o dia da Consciência Negra em razão da morte de Zumbi dos Palmares, um líder dos escravos na luta pela libertação de seu povo. E escravos, no tempo do império, eram tratados como objetos, como odemos ver na comparação entre um caderno de classificados de um jornal de nossos dias e uma seção de venda de objetos de um importante jornal em 1844:

Classificados de um grande jornal de São Paulo em 2007

Compro materiais de informática

Computadores, servidores, impressoras, monitores, teclados e cabos. Falar com Marcos, telefone: xxx-xxxx

Família vende

Mesa de jantar 2,25 x 1,0 mts, 8 cadeiras em couro + arca colonial e mesa com tampa de mármore 2,50 x 1,10. Preço de ocasião. Telefone: xxxx-xxxx

Classificados do Jornal do Comércio em 1844 (mantida a grafia original):

VENDE-SE na rua do Hospício n° 234, dois lindos moleques de 18 anos, sendo um, perfeito cozinheiro.

Aluga-se uma ama de leite, na rua Direita, n° 221.

Achou absurdo? Pois veja o anuncio abaixo onde se vendia, sem a menor preocupação, uma família inteira de escravos:

VENDE-SE uma família que se retira, os escravos seguintes:
Uma bonita mocamba de 18 anos de idade, a qual sabe coser, engomar, lavar, vestir uma senhora e fazer todo o mais serviço de casa. Uma linda pretinha de 11 anos de idade que já sabe costurar. Um preto de bom boleeiro e dois pretos de roça, sendo um deles serrador. Rua do Rosário 444.

Era comum também fazer um bota fora de ''coisas'' incluindo gente no meio do pacote. Vejamos o anúncio seguinte:

VENDE-SE na Rua do Fogo, casa 30, um preto moço, sendo bom sapateiro, boleeiro e cozinheiro, bem como uma cadeirinha, uma prensa de fazer geléia, uma secretária de mogno e outros trastes, tudo em bom uso. Quem pois precisar de qualquer desses objetos, pode dirigir à referida casa.

Podemos concluir que escravo não era gente e sim ´´pau pra toda obra´´.

Palacete Santa Helena




Inspirado pelo post do blog do Mílton Jung da CBN, que por sua vez foi baseado em uma discussão da lista do pessoal do Preserva SP, reproduzo abaixo reportagem da Folha do ano de 2003 sobre o Palacete Santa Helena.



Na tarde de 23 de outubro de 1971, o operário paulistano perdeu a referência; a arte proletária, o teto; a cidade, simbolicamente, uma vocação econômica. Depois de 117 dias de marretadas, o Palacete Santa Helena virou pó.

Inaugurado 46 anos antes, o imponente prédio era o símbolo de uma São Paulo que deixava de ser colonial e passava por um processo de industrialização.

Marco do processo de verticalização urbana, o Santa Helena foi durante anos a principal silhueta do centro --a despeito da famosa catedral na mesma praça da Sé.

O conjunto, com cinco blocos e sete andares, comportava duas sobrelojas, dois cinemas, quatro lojas e 276 salas multiuso. De arquitetura eclética com influência do art déco, sua decoração interna era refinada, com mármores.

Apesar de ter sido construído pela e para a elite paulistana, a localização central o transformou no ponto de encontro dos operários, que vinham dos bairros mais pobres, como o Brás e a Mooca.

Ao lado dos finos salões, cafés, cinemas e do teatro, eles fundaram as sedes de seus sindicatos.

Assim, a Sé, já na virada dos anos 30, tinha se tornado um mercado do emprego. Quem quisesse um marceneiro ou um metalúrgico sabia onde procurar.

A partir de 1935, a sala 231 foi convertida em ateliê, e o palacete abrigou um dos movimentos mais significativos da história das artes plásticas de São Paulo.

A iniciativa partiu do filho de espanhóis Francisco Rebolo Gonsales, ex-jogador de futebol e pintor de paredes, que viria a se tornar um dos mais reconhecidos artistas do Brasil (é dele o desenho do atual distintivo do Corinthians).

A ele se uniu, entre outros oito pioneiros, o também pintor de paredes Alfredo Volpi. Surgia o Grupo Santa Helena. Os "artistas proletários", nas palavras do escritor modernista Mário de Andrade. Da janela, eles avistavam a dinâmica do centro e encontravam inspiração para retratar em suas telas a vida operária.

"A novidade era a aproximação com uma linguagem da modernidade, com um olhar para o social", conta Lisbeth, filha de Rebolo. O grupo, diz, tinha um relação quase umbilical com o edifício.

O cordão, no entanto, foi cortado à medida em que São Paulo confirmou sua vocação de pólo de serviços e exilou as fábricas para cidades vizinhas --longe dos problemas urbanos do centro e favorecido por benefícios fiscais, o setor industrial rumava ao ABC.

O Santa Helena ruiu pelo abandono e cedeu ante o "progresso". Foi destruído para que se construísse a estação central do Metrô.

Hoje, as cerca de 640 mil pessoas que passam diariamente pela estação não encontram nenhum vestígio do antigo palacete.

O número de paulistanos à procura de emprego supera os 2 milhões, menos do que o 1,5 milhão de vagas que uma indústria zumbi ainda oferece na cidade. Mas a praça que um dia oferecia mão-de-obra parece mais vazia.

"Foi uma infelicidade. Não só seria possível manter o Santa Helena, como resgatar seu papel", afirma Wilson Ribeiro dos Santos Júnior, do Conselho de Preservação do Patrimônio Artístico, Histórico e Cultural do município.

Já para Sérgio Salvadori, atual diretor de engenharia do Metrô, a demolição foi inevitável. "Uma estação do tamanho da da Sé não caberia ali." E completa: "Naquela época não havia cultura de preservação. Era o sai da frente que queremos construir outro país".

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Coleção Paulista

Do site: http://www.saopaulo.sp.gov.br/

Coleção Paulista relança livros dos séculos XIX e XX

Em edição fac-simile, as cinco primeiras obras da Coleção Paulista foram publicadas originalmente entre 1827 e 1927. Saiba mais sobre elas:

* A província de S. Paulo, do senador Joaquim Floriano de Godoy (1826-1902)

Publicado originalmente em 1875, este livro tem apresentação da historiadora Tânia Regina de Luca, professora da Universidade do Estado de São Paulo (UNESP). Escrito para integrar o pavilhão que representou o Brasil na Exposição Industrial da Filadélfia, realizada em 1876, o livro é um apanhado estatístico, econômico e social da província de São Paulo. Sua importância reside no fato de mostrar o que era São Paulo na época, quando o eixo econômico da província mudava do Vale do Paraíba para o Oeste paulista, circunscrito à época à região de Campinas e Rio Claro. O livro tem 188 páginas e custa R$ 45,00.

* Discursos parlamentares, do deputado e senador José Bonifácio de Andrada e Silva (1827-1886)

Essa obra saiu em 1880 e tem apresentação de Marco Antonio Villa. Sobrinho-neto do Patriarca da Independência, José Bonifácio de Andrada e Silva foi o maior orador político do período. A publicação original reunia 34 discursos, proferidos na Câmara dos Deputados entre 1861 e 1868, além de um pronunciamento de 1879. Para esta edição, foi incluído um discurso de 1886, importante por seu caráter abolicionista. “Podemos perceber a evolução das posições políticas de Andrada e Silva, um liberal defensor das causas democráticas. Estão presentes os temas dos grandes debates da época, como a Guerra do Paraguai, o federalismo, a escravidão, as eleições. É um rico retrato da vida política paulista e brasileira, feito por um dos políticos mais destacados do período, que foi professor da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, onde teve como alunos Joaquim Nabuco e Rui Barbosa, entre outros nomes que se destacariam no cenário político nacional”, comenta Marco Antonio Villa. A obra tem 704 páginas e custa R$ 45,00.

* Cartas sertanejas e Procellarias, de Julio Ribeiro (1845-1890)

Publicados em 1885 e 1887, respectivamente, esses livros ganharam um estudo de José Leonardo do Nascimento, historiador e professor da Unesp. O mineiro Julio Ribeiro foi um polemista temido pelos adversários que acabou ficando mais conhecido pelo romance naturalista A carne, publicado em 1888, que provocou escândalo na época. Gramático erudito, poliglota e refinado, Ribeiro não era bacharel – ao contrário de quase todos com quem polemizou. Participou ativamente da vida política da província por meio da imprensa e da militância republicana. Pertenceu a ala esquerda do movimento republicano e criticou duramente o Partido Republicano Paulista durante o período da propaganda republicana, entre 1870 e 1889. Os dois livros recopilam artigos de jornal em que o autor censura figuras importantes da vida política como Rangel Pestana, Prudente de Morais, Quintino Bocaiúva, entre outros. “Julio Ribeiro é um dos primeiros republicanos críticos de republicanos. Ele foi o primeiro a falar: desse jeito a república não vai dar certo”, observa José Leonardo do Nascimento. São 484 páginas e tem preço de R$ 35,00.

* Manifestos e mensagens, de Manuel Ferraz de Campos Salles (1841-1913)

Publicado originalmente em 1902, tem apresentação de Júlio Pimentel Pinto, professor do Departamento de História da USP. Campos Salles ocupou a presidência da República entre 1898 e 1902. O livro traz discursos proferidos nesse período, que abordam temas como o unitarismo e o federalismo, assuntos espinhosos desde o advento da República, as negociações com os banqueiros Rothschild em torno do Funding Loan, acordo que trouxe novos recursos, ampliou os prazos de pagamento da dívida externa e impôs ao Brasil um conjunto de rígidos ajustes internos. “Campos Salles foi o presidente da República que mais produziu e publicou dentre os presidentes brasileiros. No volume reeditado é possível ler discursos feitos desde o lançamento da candidatura até a posse”, afirma Villa. A obra tem 436 páginas e custa R$ 45,00.

* Agora nós!, de Paulo Duarte (1899-1984)

Publicado em 1927, é precedido de um estudo do historiador e cientista político Boris Fausto, pesquisador da USP. Ensaísta, cronista, memorialista e professor, Paulo Duarte tinha um espírito combativo e independente que o levou a engajar-se em campanhas políticas e culturais. Agora nós! é a crônica da Revolução de 1924, um movimento ainda pouco estudado, o maior conflito bélico ocorrido na cidade de São Paulo, que fez 500 mortos e milhares de feridos. Comandado pelo general Isidoro Dias Lopes, o levante contra o presidente Arthur Bernardes e a oligarquia que o sustentava teve a adesão de vários tenentes e forçou o presidente do estado, Carlos de Campos, a se retirar para o interior de São Paulo depois do bombardeio da sede do governo. O livro de Paulo Duarte traz extensa documentação sobre o movimento, como os comunicados redigidos por seus líderes – que falam dos objetivos do levante, entre outros temas –, transcrições de artigos de jornal, mensagens das forças legalistas e de membros do clero, além de narrar as batalhas em vários bairros, em um texto que não abre mão da visão crítica e irônica sobre as elites paulistas. “A edição é uma reportagem quente, que reconstitui aqueles anos.”, afirma Fausto. Ele também destaca que a leitura é interessante também pelo fato de Paulo Duarte ser um grande polemista. “Ele não economizava palavras e gostava de brigar, não fisicamente, mas com palavras”, diz. O livro tem 412 páginas e o custo é R$ 35,00.

Os próximos cinco livros da Coleção Paulista têm lançamento previsto para 2008.

Cíntia Cury com Imprensa Oficial

Ótima notícia

Do site: http://www.saopaulo.sp.gov.br/

Imesp e Fundap lançam projeto de resgate da memória paulista

Quem gosta de livros antigos e tem especial interesse por história e política vai se deliciar com a Coleção Paulista. Os primeiros cinco livros, publicados entre 1827 e 1927 e esgotados há muitas décadas, foram relançados em edições com aparência semelhante à original. A diferença é que antes das páginas amareladas e impressas com a tipologia da época, cada obra traz uma apresentação assinada por um especialista.

Os livros foram lançados nesta sexta-feira, 30, após o seminário “Memória Paulista – Novos Temas e Novas Perspectivas da História de São Paulo e do Brasil”, na Estação Pinacoteca, na capital. As ações fazem parte de um projeto do governo do estado para o resgate da memória paulista, realizado em parceria pela Imprensa Oficial (Imesp) e Fundação do Desenvolvimento Administrativo (Fundap).

“Essa coleção está inserida dentro de um projeto maior, que é o de fazer um museu da memória de São Paulo. Nosso estado é muito focado no futuro, na realização, no empreendimento, sempre olhando para frente. Mas sabemos que é muito importante também ter as referências e a memória preservadas”, afirma o presidente da Imprensa Oficial, Hubert Alquéres. Ele destaca ainda a importância de resgatar o debate político em São Paulo. Para ele, a reedição dos livros, além de preservar a história, estimula o debate e o surgimento de novas lideranças.

Centro de memória

De acordo com Giselda Barroso Sauveur, coordenadora técnica do projeto Centro de Memória e Documentação Paulista pela Fundap, a idéia não é guardar todo o acervo do estado, mas ter obras da história de São Paulo que estavam esgotadas e sem reedições. Ela explica que a documentação que já é preservada por outros órgãos estaduais devem permanecer onde estão.

“A idéia é criar um portal na internet, com um sistema de busca que permita ao internauta localizar informações sobre a memória paulista em órgãos do governo do estado, como a Secretaria Estadual da Cultura”, informa.

Outra ação que está em fase de formatação é a realização de cursos a distância para professores de história. “A Fundap já é capaz de realizar ensino à distância e conta com metodologia de qualidade para isso. A idéia é usar essa ferramenta para capacitar professores, principalmente do ensino básico”, explica Giselda.

Cintia Cury

terça-feira, 27 de novembro de 2007

História do Ipiranga



Reportagem da tv Gazeta contando a história do bairro do Ipiranga.

O Itaim tupi do Bibi (parte 1)

autor: Helcias B. de Pádua

Entre os feriados emendados de 15 à 20 de novembro, duas datas lembradas e uma quase que esquecida, a de 19 de novembro, Dia da Bandeira que não foi feriado, olhei as páginas do Guia de São Paulo e acessei o site Guia Mais.

A curiosidade era saber quais palavras indígenas nomeiam o nosso bairro do Itaim Bibi. Encontrei várias e incríveis toponímias.

Tais nomes se deve, em muito, ao interesse que os parentes do José Vieira Couto de Magalhães tiveram de perpetua-lo, procurando relacionar e lembrar o grande trabalho do seu patrono, um sertanista, um político e escritor de inúmeras obras como: “Anchieta e as Linguas Indígenas”, “Viagens ao Araguaia”, “Os Guaianases, “Revolta de Felipe dos Santos em 1720” e o “Selvagem”.

Eu, na procura do significado dessas toponímias, dos porques das nomeações e das possíveis situações geográficas das mesmas, escolhi cinco (5) delas. São: Urimonduba; Itacema, Anacetaba; Tapinas e Igarapava.

E olhem que interessante... (ainda não completei a pesquisa)

URIMONDUBA (tupi), significando "como fazer canoa", é uma pequena via ligando a av. 9 de Julho, (aonde existia um córrego, o Iguatemi), com a rua Itacema; fica entre a rua Romilda Margarida Gabriel, (quem seria essa Romilda?) e a rua Japão, (o Japão sendo citado como nome de rua itahyense?); *Uri = pequeno, criança; uriunduba = árvore (aroeira); ubá = canoa de um só tronco ou da casca; a palavra indica que naquela local, provavelmente, os nativos construíam ou ensinavam aos mais jovens como construir suas canoas, verdadeira escola.

* Antigos moradores do bairro como por exemplo a A Da. Guiomar Schilaro, narradora oficial da AGMIB, dizem que:" ... o nome Iguatemi foi dado a rua (ex-estrada da Boiada), porque atravessava o córrego que vinha do Anhangabaú; por perto existia uma ponte e também um grande buraco; Iguatemi significa "água grande escondida". Iguatemi também indica: local, rio ou lagoa de água muito verde, escura, profunda, um sumidouro, impedindo de se ver o fundo do leito, (as pedras).

ITACEMA (tupi) = sem pedra; esta rua é quase paralela à av. 9 de Julho, do córrego Iguatemi; vai da Av. São Gabriel à Dr. Renato Paes de Barros.

ANACETABA ou Anacetuba (tupi): anace (parente) + taba (conjunto de casas - oca = casa, cercado, lugar, terra); - Anacetaba = casa do parente; ou Anacetuba = canoa do parente (anace = parente + tuba = muito ou uba = canoa); via mais ou menos paralela à av. 9 de Julho, ligando a rua Tapinas com a rua Bandeira Paulista/Itaim Bibui; ali moravam os possuidores de canoa que as emprestavam aos parentes, (será?).

TAPINAS (tupi) = gente magra; rua que vai da av. 9 de Julho à Pedroso de Alvarenga/Itaim Bibi; distrito no município de Itápolis/SP.

IGARAPAVA (tupi, tupi-guarani) = local de muita água, porto aonde se deixava a canoa; travessa sem saída, na rua Paes de Araújo, entre a rua Pedroso Alvarenga com a Tabapuã/Itaim Bibi; município no estado de São Paulo.

(*) o artista MAZZAROPI residiu por muitos anos em um belo sobrado da rua Paes de Araújo, entre as ruas Igarapava e Pedroso Alvarenga.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Movimento republicano em São Paulo

São Paulo teve importância fundamental no movimento republicano que tomou o poder no Brasil em 15 de novembro de 1889. Foi na Convenção de Itu, no dia 18 de abril de 1873 que foi fundado o Partido Republicano Paulista (PRP), primeira iniciativa republicana moderna do país.

O principal objetivo do partido era a descentralização do poder e a criação de uma república federativa, formato de administração que não era possível no regime imperial. Assim como nos dias de hoje, outra questão combatida era o bom emprego dos impostos que até aquela ocasião ainda eram pagos para Portugal e não retornavam em benefício para o país.

Apesar da força do partido, que era formado por médicos, advogados e engenheiros, além de diversas personalidades importantes do cenário político de São Paulo, a legenda não conseguia grandes avanços no período que antecedeu a proclamação da República nos 16 anos que se seguiram. São Paulo, apesar de já começar a dar sinais de crescimento devido ao movimento estudantil e a perspectiva da chegada da estrada de ferro que viria a impulsionar o desenvolvimento da metrópole, ainda era uma cidade muito pobre. Logo, o partido foi visto pelos moradores como um movimento de elite e acabou tendo antipatia pelas idéias republicanas, não aderindo ao movimento.

Após 1889 no entanto, o partido ganha força no país ao eleger 5 presidentes da República:

Prudente de Morais - 1894-1898
Campos Sales - 1898-1902
Rodrigues Alves - 1902-1906
Washington Luís - 1926-1930
Júlio Prestes - 1930-1934; não tomou posse

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Bandeirantes

Ontem o programa Fantástico da Rede Globo, exibiu mais um bom programa da série que fala de forma descontraída sobre História do Brasil. Eduardo Galeano tratou do tema Bandeirantes de uma forma divertida e que, acredito, trouxe uma reflexão sobre o tema por conta da seguinte pergunta: Bandeirantes, heróis ou vilões?

Compartilho aqui alguns links que podem falar mais sobre o tema para quem quiser se aprofundar nesse assunto que é sim muito emplogante:

Os Bandeirantes
Hino dos Bandeirantes
Roteiro dos Bandeirantes
Entradas e Bandeiras

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

São Paulo e a Independência 2

Durante quatro anos, entre 1822 até 1826, o país não comemorou a data de 7 de setembro. Mas isso não aconteceu por falta de tentativas. Durante a Assembléia Constituinte de 1823, a discussão sobre a data apareceu pela primeira vez, graças ao incetivo de membros do governo da província de São Paulo que tinham a intenção de erguer, no local onde d. Pedro teria proferido o grito da independência, um monumento para que o episódio fosse sempre lembrado.

Os paulistas não foram bem sucedidos nessa primeira tentativa. Nos anos seguintes, várias crises políticas como a dissolução da própria Assembléia Constituinte e pela Confederação do Equador, impediram que a discussão fosse retomada com a devida força pelos paulistas. Durante esse tempo, as datas nacionais mais importantes e comemoradas pela população do país eram o Dia do Fico em 9 de janeiro e o dia 12 de outubro, aniversário de d. Pedro e dia em que foi aclamado pelo povo como imperador no Rio de Janeiro.

São Paulo e a Independência 1

A independência do Brasil não foi imediatamente reconhecida e nem teve a sua importância considerada logo de imediato. Ao proclamar o grito em 7 de setembro de 1822, não aconteceram comemorações ou fatos relacionados com o ato, conforme relatam a maioria dos livros de história. O próprio d. Pedro, na famosa Carta aos paulistas datada de 8 de setembro de 1822, ou seja, 1 dia depois do ato histórico, não fez referência ou deixou registros específicos sobre o que havia acontecido no dia anterior.

Ao se referir ao grito (independência ou morte), o então príncipe regente dava muito mais uma conotação de palavra de ordem contundente do que propriamente à um evento que deveria ser considerado memorável ou mesmo como uma situação sem volta, irreversível. O famoso grito do Ipiranga, assumia a conotação de uma declaração de guerra civil, ao invés de um encerramento das relações Brasil e Portugal.

Nem mesmo os principais jornais do Brasil que na época circulavam principalemnte na capital do Reino (Rio de Janeiro) fizeram referência ao que havia ocorrido na província de São Paulo no dia 7 de setembro.