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segunda-feira, 20 de agosto de 2007

A escolha do convento de São Francisco


Entre as várias versões que circulam sobre o critério de escolha para o prédio que iria ceder lugar para a faculdade de direito do Largo São Francisco, uma muito curiosa passa despercebida por muitos historiadores.

Entre os três conventos existentes na época (Carmos, São Bento e São Francisco), o último apesar de ser o mais humilde no visual era o que tnha maior espaço e por esse motivo teria sido escolhido. Mas, um detalhe precisa ser levado em consideração.

Nessa época os três prédios já estavam desocupados de frades. Apenas uma pessoa tomava conta em cada um deles: no do Carmo era o prior, no de São Bento pelo abade, e o de São Francisco pelo guardião. Mas, as ordens camelitanas e beneditinas são muito ricas e tinham muitos prédios urbanos, fazendas rurais e, naquele tempo, também tinham muitos escravos.

A ordem franciscana era a mais pobre e vivia de esmolas. Logo, foi esta a escolhida para ser ocupada até por ser a mais útil porque ainda repartia ntre os mendigos que ali já ficavam naquela época (como até hoje) um caldeirão de feijão todos os dias.

Diferente do que a história costuma contar, a ocupação não foi tão pacífica assim. A fama de homens humildes e submissos que sempre nos vem à mente quando pensamos nos franciscanos não valeu na ocasião. A ordem franciscana não ficou feliz em saber que o seu prédio seria ocupado e relatos da época dizem que o frei Santa Delfina, o guardião, ameaçava receber com chicote quem fosse tomar conta do convento.

Certamente o frei Delfina deixou de lado a humildade do seráfico São Francisco de Assis.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Origem dos Franciscanos em São Paulo III

Em 1583, quando a Armada do Almirante Diogo Flores Valdez aportou em São Vicente, três ou quatro religiosos abandonaram os navios para se dedicarem a conversão dos índios. Ao contrário dos que vieram antes, que sempre preferiram o litoral para suas peregrinações, estes subiram a serra e vieram para a Vila de São Paulo, estabelecendo-se perto da ermida de Nossa Senhora da Luz, não muito distante da povoação.

Nesse tempo, São Paulo não passava de um aglomerado de casas rustícas e sua população era de 120 moradores brancos. É preciso saber que, naquela época, não se contavam os índios como pessoas. Não eram raras as ocasiões em que ficava praticamente deserta porque os homens saíam para caçar índios para escravizá-los.

Origem dos Franciscanos em São Paulo II

Em 1549, 5 frades espanhóis que se dirigiam às colônias no Rio da Prata quando um temporal obrigou a nau em que viajavam a chegar em São Vicente. A estes se juntaram, poucos anos depois, mais três frades, também de origem espanhola, que haviam naufragado no litoral paulista. Desse grupo faziam parte os evangelizadores que seguiram, uns para o Espírito Santo e Bahia e outros para Santa Catarina.

Origem dos Franciscanos em São Paulo I

Em 24 de abril de 1500, após desembarcar na terra recém descoberta, Pedro Álvares Cabral e seus comandados foram participar da primeira missa celebrada no Brasil. Quem a oficiou foi Frei Henrique de Coimbra, o capelão franciscano que acompanhava os portugueses. A religião católica foi durante 50 anos mantida pelos frades franciscanos. Só então chegaram os jesuítas, dentre os quais ressalta a figura de José de Anchieta.

Antes da fundação de qualquer convento franciscano no Brasil, a crônica da Ordem registra a presença de seus frades na região de São Paulo, em três épocas diferentes. Em 1523, dois deles se instalaram na Capitania de São Vicente, com seu fundador, Martim Afonso de Souza. Um desses missionários, querendo doutrinar uma tribo sediada do outro lado de um rio, ao tentar atravessá-lo foi morto a flexadas e comido pelos indígenas. Até hoje esse curso d´água chama-se "Rio do Frade".

Chegada dos franciscanos ao Brasil

Em 15 de julho de 1675, o Papa Clemente X assinou a Bula Pastoralis Officii criando para a Ordem dos Franciscanos a Província Autônoma da Imaculada Conceição do Brasil. Os frades menores desembarcaram com Cabral e foram eles que implantaram a cruz e rezaram a primeira missa no Brasil.

A missão deles, não se restringiu em levar o Evangelho aos índios. Os frades franciscanos eram a única fonte de cultura inclusive para os colonizadores que vieram de Portugal para cá, por conta da instalação e cada convento, das ''escolas gratuitas de gramática''.

A importância da escola fundada pelos frades do Largo de São Francisco era tão grande que, em 1760, o ilustre Marquês de Pombal quis encerrar as atividades das escolas. Porém, não existia no país outras instituições que pudessem substituir aquelas e ele acabou sendo obrigado a autorizar que continuassem a funcionar.