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sábado, 23 de outubro de 2010

Edifício Sampaio Moreira aberto para visitação

Sempre houve uma polêmica em torno de qual teria sido o primeiro arranha-céu da cidade. Teria sido o Martinelli ou o Sampaio Moreira? Idenpendente de quem tenha sido, ambas as contruções passaram anos fechadas para acesso público, que ficou privado de conhecer por dentro suas construções belíssimas das primeiras décadas do século XX.

Uma boa notícia chegou essa semana. O Edifício Sampaio Moreira está reaberto para visitação e, diferente do Martinelli, com horários onde as pessoas podem frequentar. Mais detalhes do que está acontecendo por lá você encontra nessa matéria do Jornal da Tarde:


http://blogs.estadao.com.br/jt-cidades/bem-vindo-ao-edificio-sampaio-moreira/

sábado, 7 de novembro de 2009

Parque do Carmo

O Parque do Carmo tem 1,5 milhão de metros quadrados. Fica no bairro de Itaquera, Zona Leste de São Paulo. E, apesar de não ser tão badalado quanto o Ibirapuera ou o Vila Lobos é, sem dúvida um dos lugares mais bonitos da cidade.

Além disso, esse parque é um lugar de memória. Na sua topografia e no seu desenho estão as marcas da história da cidade. Um dos erros mais comum quando se fala da história de São Paulo é pensar apenas no centro histórico, ignorando completamente outras áreas da cidade. Escolas e faculdades dos bairros não enxergam a possibilidade de um aprendizado mais rico tornando os alunos verdadeiros historiadores-arqueólogos que investiguem a história da cidade de do país a partir do "quintal" de sua casa.

Algumas fotos que fiz no último feriado estão aqui.



Reproduzo aqui o texto que está no site Preservação Ambiental:

Histórico do Parque do Carmo

Todo o município de São Paulo já foi coberto por algum tipo de vegetação, e a vegetação mais significativa, e que cobria a maior parte de nossa cidade, era a floresta de Mata Atlântica, mata esta, que recebe influência do Oceano Atlântico, daí vem seu nome.

Os primeiros ocupantes desta região foram três tribos indígenas, Itaquerús que originou o nome do bairro de Itaquera, Guaianás que originou o nome do bairro de guaianases e Caaguaçús, Com o decorrer do tempo vieram para esta região uma Ordem católica chamada de Ordem Terceira do Carmo Fluminense, que todos conheciam como Ordem dos Carmelitas. Eles tinham o intuito de catequizar os índios que aqui habitavam, e mostrar alguns de seus costumes, este choque cultural não aceito pelos índios teve o resultado de fuga destes para terras mais distantes.

Então, a Ordem Carmelita usufruiu bastante destas terras transformando-a em "Fazenda Caaguaçu" (para os índios este nome significava Mata Grande) no ano de 1722. (Caaguaçu era uma das tribos que habitaram esta região e mais recente o antigo nome da avenida principal do Carmo que hoje se chama Av. Afonso Sampaio e Souza).
A exploração agrícola e a criação de gado foram as principais atividades desenvolvidas na fazenda. Grande parte da área foi devastada para o plantio. A substituição da mata original pelos produtos agrícolas, modificou o ecossistema da região, destruindo o habitat dos animais.

Em 1919 a fazenda foi vendida para a Companhia Pastoril e Agrícola, de propriedade do Coronel Bento Pires, que deu continuidade a criação de gado e principalmente o plantio de café, que tinha sua produção facilmente escoada pelo aproveitamento da ferrovia que passava perto de sua fazenda, e que foi trazida até estas terras pelo engenheiro Artur AlvÍm.

Na década de 20, Bento Pires começa o que seria o primeiro processo de loteamento das terras da fazenda. Parte destas terras hoje é a Vila Carmosina e a Cidade Líder, e o que restou destas terras passou a se_chamar "Fazenda do Carmo". Nesta mesma época inicia-se a colonização japonesa, incentivada pelo coronel Bento Pires. Seu interesse era a formação de pequenas propriedades produtivas e que tivessem mão de obra especializada para fomentar o desenvolvimento agrícola da localidade.

Já na década de 40, houve no Brasil a revolução industrial, o que fez o café perder o valor, assim sendo, o Coronel Bento Pires resolveu vender parte de suas terras para um engenheiro de construção civil da CBPO (Companhia Brasileira de Projetos e Obras), o Sr. Oscar Americano de Caldas Filho; este por sua vez loteou e vendeu parte desta propriedade. Na época existiu até um slogan que dizia "Venham morar no Morumbi da Zona Leste", pois os lotes eram grandes, justamente no intuito de atrair pessoas da classe média e alta e assim, valorizar mais ainda o restante de suas terras. Essas terras loteadas fazem parte atualmente do Jardim Nossa Senhora do Carmo, que em alguns pontos é conhecido como Morumbizinho.

Oscar Americano também plantou algumas espécies de eucaliptos e pinheiro (pinnus) para fazer experiências no uso destas madeiras para confecção de dormentes, mas que as pesquisas mostraram que não eram propícias para este fim. Ele transformou o restante das terras em área de lazer particular para passar os finais de semana com a família, e começou a fazer algumas mudanças nestas terras.

Reformou e aumentou o tamanho do Casarão (hoje o CEA CARMO), onde ficou sendo a sede da fazenda e sua casa principal, ao lado direito da casa existe até hoje uma igueira, que na época tinha a valor de dar status para o ocupante daquela construção, e para mostrar que ali vivia o dono da fazenda; construi também uma casa ao lado da principal, que era usada pelos empregados da fazenda; fez a casa das crianças e babás (hoje sede da GCM), fez também a piscina da fazenda (hoje local de recepção de escolas e instituições para trabalhos no CEA CARMO), e construi a casa dos hóspedes (hoje sede da Administração do Parque) e um prédio redondo, que era um espaço de lazer e jogos,_e aproveitando a geografia da fazenda, represou o córrego principal e fez uma barragem, onde construiu um lago artificial que ele usava para práticas de esportes náuticos nos finais de semana. Hoje este lago é uma das principais atração do parque, com diversas espécies de peixes, cisnes, marrecos, gansos, aves migratórias e uma imensa diversidade de vida.

Oscar Americano faleceu em 1974 e anos depois; sem muito interesses por esta fazenda, seus herdeiros resolveram vendê-la. Uma parte ficou com a Prefeitura e outra (a maior) ficou com a COHAB.

A Prefeitura fez algumas benfeitorias nesta fazenda, aproveitando muitos equipamentos da época da fazenda, e construiu banheiros, playground, churrasqueiras, e áreas de descanso. O Parque do Carmo ,foi inaugurado em 19 de setembro de 1976, e conta hoje com uma área de pouco mais de 1,5 milhão de metros quadrados, tornandose o terceiro maior parque municipal da cidade de São Paulo'

sábado, 17 de outubro de 2009

Visita ao Centro com alunos do ISE - Vera Cruz (São Bento - Anhangabaú)

Hoje eu acompanhei o professor Antônio Primo (Nico)em um trabalho com alunos de Pedagia do ISE - Vera Cruz no centro de São Paulo. A idéia era comparar São Paulo em dois momentos: fim do século XIX e início do século XX com a paisagem atual.

Esse trabalho de comparação é sempre muito impactante porque, de posse de fotos, os alunos olham para o mesmo lugar que está completamente diferente. Mesmo olhando para as imagens é praticamente impossível perceber, por exemplo, como era a entrada da rua São Bento durante a contrução do edifício Martinelli.

É interessante observar também a reação das pessoas a cidade onde elas vivem. Mesmo os prédios estando no mesmo lugar a anos, alguns alunos comentaram comigo nunca terem reparado nos detalhes. Isso é muito comum. Vivemos correndo nessa cidade. Logo, não conseguimos ver a beleza do conjunto de casas que joe servem como lojas de comércio na rua Florêncio de Abreu, ou a perfeição da reta da rua que leva até o largo de São Francisco.

A visita valeu muito a pena. Já passei milhares de vezes pelo mesmo lugar, mas para mim é sempre como se fosse a primeira vez. Ainda mais porque nesse grupo alguns alunos foram contribuindo com informações basesadas em suas memórias.

Aqui, as fotos que tirei durante a visita:

Visita ao Centro com alunos do ISE - Vera Cruz (São Bento - Anhangabaú)

domingo, 13 de setembro de 2009

Festival de Cultura Paulista - Parque da Água Branca

Todo mundo já ouviu falar em algum momento que o estado de São Paulo é maior do que a Bélgica, e outros países da Europa. O que não vem junto com essa afirmação, é o seguinte raciocínio: se São Paulo tem todo esse tamanho, o que rola com toda a cultura que está nesse território?

O Governo do Estado de São Paulo teve uma bela iniciativa para colaborar nessa distância entre capital e inteiror e organizou o Festival de Cultura Paulista. Sexta-feira dia 11 foi aberta a décima terceira edição.

Estive lá hoje. Fiquei muito feliz em ver as milhares de pessoas que foram lá interessadas em provar os pratos típicos, comprar artesanato e ver espetáculos de danças típicas. Fiz algumas fotos que podem ser vistas aqui:

Festival de Cultura Paulista - Parque da Água Branca

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Henri Matisse @ Pincacoteca do Estado

Fui hoje ver a exposição "Matisse hoje/Aujourd´hui" na Pinacoteca do Estado. Fiquei surpreso com a quantidade de pessoas na fila para entrar. Quando terminei de ver a exposição entendi o porque. Obra simplsmente belíssima do grande pintor/escultor francês.

Na paralela, artistas contemporâneos que tem inspiração na obra de Matisse, expões suas obras no mesmo salão, proporcionando uma ótima comparação entre pupilos e mestre.

Outro motivo fortíssimo para ir até lá é a presença da obra "Jazz" que revolucionou a arte no século XX.

Prefiro não dizer mais nada. Vá o quanto antes. Aberta ontem, dia 5 de setembro a exposição vai até o dia 01 de novembro de 2009. Abaixo algumas fotos que fiz:

Matisse - Pinacoteca do Estado

sábado, 5 de setembro de 2009

Burle Marx no MAM

Semana passada fui ao MAM visitar a exposição "Roberto Burle Marx 100 anos: A permanência do instável."

Não sou paisagista, nem arquiteto... mas como historiador posso dizer que valeu muito à pena. Burle Marx viveu praticamente todo o século 20. Nascido em 1909 e falecido em 1994, ele viu praticamente todas as transformações radicais que o mundo passou. E, com certeza, muitos desses acontecimento se refletiram em suas obras de paisagismo, artes plásticas, etc.

Aqui, algumas fotos que fiz:



Abaixo, a primeira parte do programa "De Lá Pra Cá" da TV Brasil sobre o centenário do paisagista. No Youtube dá pra ver as partes restantes:



A exposição vai até o próximo dia 17 de setembro.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Total São Paulo

Guias são muito legais. E quanto mais melhor. Impressos, online, de graça, pagos. Quanto mais informações sobre a cidade melhor. Até porque, cada autor que produz um guia, imprime o seu ponto de vista sobre o que é relevante e vale a pena ser visto em São Paulo.

Via Mateus Potumati, colega de Poplist, recebo o Total São Paulo. Em uma rápida olhada já curti bastante. Entrevistas, roteiros diferentes, locais bacanas que saem do esquemão de outros guias.

Vou continuar lendo. Mas já recomendo fortemente.

terça-feira, 5 de maio de 2009

OSESP @ Pinacoteca do Estado

No último domingo aconteceu a Virada Cultural aqui em São Paulo.

Vários espetáculos aconteceram. Mas o único que consegui aocmpanhar foi a apresentação do coral da OSESP na Pinacoteca do Estado. Abaixo, reproduzo o vídeo do momento que eles execuaram "Ave Maria".

segunda-feira, 9 de março de 2009

Casa Modernista




Ontem visitei a Casa Modernista . O imóvel foi assumido recentemente pela prefeitura da cidade de São Paulo que está reformando de acordo com o projeto original do arquiteto Gregori Warchavchik.

O lugar é muito bonito. Um parque incrustado no meio do bairro de Vila Mariana. Entrar nesse espaço é uma sensação mágica que transporta você para fora da selva de pedra que fica no entorno do lugar. É uma ilha verde.

Vale muito investir um tempo para visitar o local.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Curso de História da Arte

Pra quem gosta de arte, mas não tem dinheiro para custear um curso de história da arte, o MASP oferece esse curso introdutório gratuitamente, todos os primeiros sábados do mês.

http://masp.art.br/servicoeducativo/cursointrodutorio.php

CURSO INTRODUTÓRIO À HISTÓRIA DA ARTE A PARTIR DA COLEÇÃO DO MASP

Orientação: Professor Renato Brolezzi, e a participação de Paulo Portella Filho, coordenador, Christina Guarinello A.Moreira Marx e Luciano Rodrigues,assistentes de coordenação.

Voltado para professores de arte e educadores em geral, o curso oferece uma introdução à cultura figurativa ocidental a partir da análise de obras escolhidas da Coleção do MASP. Oferecido uma vez ao mês – de fevereiro a dezembro, à exceção de Julho - constitui-se no principal apoio conceitual do museu ao professor interessado em futuras parcerias de trabalho com o Serviço Educativo.

Para participar não há necessidade de inscrição prévia: o interessado deve dirigir-se ao museu no dia da aula, pelo menos 30m minutos antes do seu inicio.

Cada participante recebe um certificado pela sua freqüência, e este lhe garante a retirada, logo após a aula, de um convite para visitar o museu e a obra estudada. Com o certificado o participante também poderá ter descontos especiais em compras na Loja do Museu e no Restaurante do MASP.

Os que assim o desejarem participarão, logo após a aula, de uma atividade de avaliação de aproveitamento na aula, com direito a certificado correspondente.

No dia da aula, das 14 às 17h00 a Biblioteca e o Centro de Documentação do MASP ficam abertos excepcionalmente - mediante agendamento no próprio dia - a consultas dos participantes da aula.

Programa 2008

09 DE FEVEREIRO
A Virgem em Lamentação, São João e as Pias Mulheres da Galiléia, de MEMLING

01° DE MARÇO
A Virgem com o Menino em Pé (Madonna Willys), de GIOVANNI BELLINI

05 DE ABRIL
Virgem com o Menino, São João Batista Criança e um Anjo, de PIERO DI COSIMO

10 DE MAIO
O Banho de Diana, de FRANÇOIS CLOUET

07 DE JUNHO
Oficial Sentado, de FRANS HALS

02 DE AGOSTO
Drinkstone Park (ou O Bosque de Cornard), de GAINSBOROUGH

06 DE SETEMBRO
A Educação Faz Tudo, de FRAGONARD

04 DE OUTUBRO
A Banhista e o Cão Grifon (Lise à Beira do Sena), de RENOIR

01° DE NOVEMBRO
O Grande Pinheiro, de CÉZANNE

06 DE DEZEMBRO
A Compoteira de Peras, de LÉGER

Sábados das 11h00 às 13h00
Grande Auditório do MASP - primeiro subsolo
370 vagas GRATUITO

Não há necessidade de inscrição prévia

Orientação: prof. Renato Brolezzi
Assistente de Coordenação do Serviço Educativo do MASP


Aula do Mês

FERNAND LÉGER
Argentan, Orne, 1881 – Gif-sur-Yvette, Seine-et-Oise, 1955




A Compoteira de Peras
Óleo sobre tela, 79 X 98 cm, 1923.
Acervo do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand MASP.

A Obra

A etiqueta no verso do quadro remete ao inventário da Galeria de Léonce Rosenberg onde a obra foi catalogada: “7959, Mars 1923, 20/3/23, Léger, Le compotieur aux poires, 81x100, ph.nº 471, 1500f”.O inventário cita um quadro ligeiramente maior (116 x 81 cm) com o mesmo título, hoje conservado no museu d’Art Moderne de Villeneuve-d’Ascq, ao norte da França. Há ainda uma outra variante (65 x 50 cm) citada por Bauquier, sob o número de 351, em seu catálogo raisonné da Obra de Léger.

O ano de 1923 foi importante pata Léger. Além de sua participação, juntamente com o escultor húngaro Csaky, no Salon des Indépendants, o artista escreveu um artigo notável: A estética da máquina: o objeto fabricado, o artesão e o artista, dedicado ao poeta russo Maiakovski, publicado na revista Querschnitt, em Berlim, e posteriormente, em janeiro de 1924, no Bulletin de L’Effort Moderne. Desenhou o cenário e os figurinos para La Création du Monde de Blaise Cendrars, com música de Darius Milhaud; realizou o cenário do laboratório do engenheiro para o filme L’inhumaine de Marcel L’Herbier. Léger, que já descobrira durante a guerra, as possibilidades estéticas da máquina, interessou-se pelo cinema apreendendo a poesia dos objetos fragmentados, estudando-os em várias naturezas-mortas nos anos de 1922-1923, até chegar à realização do filme Ballet Mécanique, em 1924. Os objetos adquirem tamanho monumental e tornam o espaço do quadro dinâmico, rimado por geometrias coloridas (Andral 1998).

A tela do MASP fazia parte da coleção de Olívia Guedes Penteado, animadora do modernismo em São Paulo. Olívia Guedes Penteado adquiriu o quadro em Paris, em 1923, talvez orientado pelo amigo e poeta Blaise Cendrars, que esteve várias vezes no Brasil entre 1924 e 1934, estabelecendo relações com o grupo de modernistas. A aquisição pode também ter sido uma sugestão da pintora Tarsila do Amaral, grande admiradora da obra de Léger.

Segundo Aguillar (1991, p.89), “a maneira de criar profundidade sem abandonar o plano já está implícita nos Contrastes de Formas, de 1912, que tanto impressionaria o cubo-futurista Malévitch”.

O Artista

Nascido em uma família de criadores de gado na zona rural da Normandia, Léger, artista reputado inculto, dizia-se com orgulho ”de raízes camponesas”. Na realidade, não apenas por sua arte, prolífica em diversas mídias, mas também por seus ensinamentos e escritos, centrados nas relações entre arte e sociedade, exerceu, na primeira metade do século, uma influência superada por poucos. Entre 1897 e 1899, após concluir o grau médio, Léger emprega-se como aprendiz em um escritório de arquitetura, em Caen. A experiência prolonga-se no ano seguinte, já então em Paris. Sobrevém o serviço militar, terminado em 1902 em Versalhes, onde o artista convive, talvez com proveito para o desdobramentos ulteriores de sua sensibilidade, com um corpo de engenheiros. É então admitido na École des Arts Décoratifs, após ter sido recusado pela École des Beaux-Arts. Seus estudos são dirigidos por Jean-Léon-Gérôme e Gabriel Ferrier (1847-1914), mas Léger segue simultaneamente as sessões da Académie Julien e visita o Louvre, além de se manter como desenhista de arquitetura e retocador de fotografias comerciais. Divide então um apartamento com André Marc (1885-1932), com quem manterá uma intensa correspondência artística até os anos 20. Iniciam-se os anos de maior efervescência de Montparnasse, sob o impacto do Fauvismo e da exposição retrospectiva de Cézanne no Salon de Automne de 1907. As primeiras obras de Léger absorvem fielmente o clima do momento e em especial do seu habitat imediato, como no La Ruche, no qual o artista entabula relações com Delaunay, Chagall, Soutine e Lipchitz, além de poetas como Max Jacob, Apollinaire, Raynal e especialmente Cendrars, que lhe dedica o poema programático Construction. É ainda sob o signo de tais encontros que Léger expõe no Salon d’Automne em 1909, onde as vanguardas convulsionam a arte com uma nova onda de choque através de obras fundamentais de Brancusi, Duchamp, Picabia, Gleizes, La Fresnaye, Metzinger e outros. No ano seguinte, sua inserção nas pesquisas de vanguarda traduz-se por sua participação no Section d’Or, movimento nascido no ateliê de Jacques Villon, em Puteaux e do qual participaram também Delaunay, Gleizes, Metzinger e Le Fauconnier. Ainda em 1910, Kahnuweiler inclui-o no rol dos artistas de sua galeria, após Picasso e Braque, e em 1912 dedica-lhe uma primeira exposição individual. Léger participará neste mesmo ano de outra não menos célebre exposição intitulada “Valete de Paus” (Valet de Carreau), organizada por Malévitch em Moscou. A adesão de Léger ao cubismo é, contudo parcial, pois é mediada pela peculiaridade de manter e mesmo realçar as formas volumétricas, além de tangenciar apenas fugazmente a abstração. Sucessivamente, e esta é outra forma de dessemelhança com Braque e Picasso, Léger inicia uma intensa teorização sobre seus partidos estéticos, consignados em conferências e ensaios e reunidos em três obras principais: L’esthétique de la Machine (1923), Le nouveau réalisme continue (1936) e La couleur de l’arquitecture (1946).

Nos anos de 1913 e 1914, o artista dá conferência na Academia Wassilieff de Berlim, na qual anuncia o princípio fundamental de sua estética: “a intensidade de contrastes” de cores e formas, princípio plenamente desenvolvido na série intitulada Contrastes de Formas (Paris, MNAM; Nova York, MOMA; Düsseldorf, KNW). De 1917 é monumental Partida de Cartas, reflexo de sua experiência no front em Verdun, onde uma bomba de gás o atinge quase mortalmente, obra que conclui suas pesquisas próximas à abstração e marca o retorno definitivo à figura.

“Cada artista possui uma arma ofensiva que lhe permite brutalizar a tradição. Em busca do espetáculo e da intensidade, eu me servi da máquina, como a outros ocorreu empregarem o corpo nu ou a natureza-morta”. Assim inicia-se o artigo de Léger, intitulado L’esthétique de la Machine: l’ordre géométrique et le vrai (apud Kosinsky 1994, p. 121), proclamação de uma démarche que será peculiar ao pintor nestes anos: o entusiasmo pela temática e pelas novas formas de inserção da máquina “no ritmo da vida moderna”. Em obras como Éléments Mécaniques (1918-1923, Basiléia, Kunstmuseum), cujo título é retomado em uma tela de 1924, hoje no MNAM de Paris, a linhagem dos contrastes formais exprime-se no dizer de Kosinsky, “entre les élements linéaires d’um noir nettement découpé et les zones de couleur pure. “A autora enfatiza em seguida aa importância do cinema na poética de um mundo maquinizado de Léger, revelada no “filme sem roteiro ”Le ballet mécanique, criado pelo artista em 1924 a partir da música de Georges Antheil e montado em colaboração com Gerald Murphy e Man Ray. A estética dos fragmentos de objetos industrializados que compõem a vida cotidiana, a intensa cacofonia da cidade moderna, a justaposição de faces luminosas de cor pura, de letras, de ícones da galopante invasão do aço na paisagem urbana, tais são os elementos e a temática que Léger combina e reelabora em sua pintura.

Para o pavilhão do Esprit Nouveau da Exposição de Artes Decorativas em Paris, em 1925, Léger realiza grandes composições que marcam sua primeira contribuição ao muralismo, desenvolvido ulteriormente na Exposition Universelle de 1937, no Palais de la Découverte. A primeira metade dos anos 20, período em que nascem naturezas-mortas marcadas por poéticas de grande pureza compositiva, tais como as do MNAM de Paris (1922) e do MASP (1923), é seguramente, no percurso do artista, seu período “clássico”, o momento de maior equilíbrio, maturidade e mestria de sua poética.

L. Migliaccio, L. Marques

Texto extraído do Catálogo do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand: Arte Francesa Coordenação geral: Luiz Marques São Paulo, Editora Prêmio, 1998


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

O Autor na Praça recebe a equipe da revista Ocas

A equipe da revista Ocas", produzida pela Organização Civil de Ação Social (OCAS), estará neste sábado, 7/2, às 14h, no projeto O Autor na Praça, na Praça Benedito Calixto, em Pinheiros.

A publicação é um projeto social que visa colaborar na reintegração na sociedade, de pessoas em situação de risco social.


Os vendedores apresentarão a revista, contarão suas histórias e ainda apresentarão seus livros e suas poesias. 


Os voluntários da Organização darão apoio às apresentações e estarão à disposição para esclarecer dúvidas sobre os projetos da OCAS, entre eles, o da própria revista Ocas", o do Futebol Social, o da Terapia Ocupacional e o de Psicodrama.

Cerca de 1500 pessoas já atuaram como vendedores da revista Ocas''. Os resultados foram tão positivos, que a maioria fortaleceu a auto-estima, retomou a vida no ambiente familiar, voltou aos estudos e muitos até conquistaram um emprego.


Venha conhecer um projeto que preza por uma sociedade justa, democrática e participativa!


Praça Benedito Calixto – Pinheiros


Sábado 7/2, às 14h

OCAS – http://blogdaocas.blogspot.com/                                

HWC - http://www.homelessworldcup.org/                   

INSP - http://www.street-papers.org/ 

domingo, 18 de janeiro de 2009

Programação Cinemateca

A Cinemateca Brasileira é um dos lugares mais bonitos de São Paulo. Localizado na Vila Mariana, era o antigo matadouro da região e o primeiro de São Paulo, tendo sido inaugurado em 1897. O prédio foi preservado dentro do projeto original. Para comemorar o aniversário da cidade, a Cinemateca está com uma programação vasta que vai de terça até o próximo domingo:



CINEMATECA SP 2009

20 a 25 de janeiro de 2009

A Cinemateca Brasileira participa mais uma vez das comemorações do aniversário da cidade de São Paulo com a segunda edição da mostra CINEMATECA SP, que apresenta ao público o passado e o presente da atividade cinematográfica na maior metrópole do país. Seguindo a filosofia de recuperar a memória visual da cidade, a programação para este ano divide-se em duas mostras paralelas: uma seleção de filmes marcantes que têm São Paulo como cenário, escolhidos pelo fotógrafo Cristiano Mascaro, e uma restrospectiva de curtas-metragens documentais realizados pelo pioneiro B.J. Duarte, restaurados pela Cinemateca Brasileira em parceira com a Secretaria Municipal de Cultura da Prefeitura da Cidade de São Paulo. Além de serem exibidos como complemento às sessões dos longas escolhidos por Cristiano Mascaro, os curtas de B.J. Duarte serão apresentados em conjunto no dia 25 de janeiro, reunidos num único programa seguido de debate com as pesquisadoras Márcia Regina Barros Silva e Marina Takami.


Visite o site e veja a programação completa: http://www.cinemateca.com.br/

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Passeio fotográfico

Super passeio fotográfico do Preserva SP

Especial do aniversário de São Paulo


Em homenagem ao aniversário da cidade (dia 25 - domingo), a Associação Preserva São Paulo realizará nessa data um super passeio fotográfico no Centro. O local de encontro será na escadaria da Catedral da Sé, pontualmente às 13 horas.

Fotógrafos acompanharão o grupo dando dicas de como tirar as melhores fotos arquitetônicas. O roteiro previsto é: Parque D. Pedro, Praça João Mendes, Viaduto D. Paulina, Rua Maria Paula, Praça da Bandeira, início da Av. Nove de Julho e Praça Roosevelt (o roteiro poderá ser modificado conforme as circunstâncias) . A duração máxima do passeio será de 4 horas, e terminado o percurso, nos deslocaremos até a Cinemateca Brasileira para assistir a um documentário sobre a cidade (programa opcional).

O passeio é INTEIRAMENTE GRÁTIS e não é necessária inscrição prévia: basta comparecer ao local de encontro pontualmente no horário combinado.

Para que os participantes possam inscrever as fotos tiradas no passeio na Jornada Fotográfica do Preserva SP, decidimos prorrogar as inscrições para este concurso até o dia 31 de janeiro. Não percam essa oportunidade!

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Passeio fotográfico ao Cemitério da Consolação

Você gosta de arte e quer saber mais sobre a história de São Paulo?

Então, abandone o medo e o preconceito e venha participar do passeio fotográfico ao Cemitério da Consolação.

Inaugurado em 1858 e tombado em 2005, o Cemitério da Consolação é o espaço mortuário mais antigo da cidade de São Paulo e o que melhor representa a aristocracia paulistana.

É um museu a céu aberto com um rico acervo onde estão sepultadas personalidades da história de São Paulo e do Brasil como o poeta e escritor Mário de Andrade, a pintora Tarsila do Amaral, o escritor Monteiro Lobato, a ex-primeira dama Ruth Cardoso o ex-presidente da República Washington Luís e a Marquesa de Santos, entre outros.

Grande referência na arte tumular, o cemitério possui mais de 300 túmulos imortalizados nas mãos de artistas consagrados como Victor Brecheret, Galileo Emendabili, Rafael Galvez, Amadeo Zani, Armando Zago, Nicolina e Vaz de Assis Pinto do Couto.

O cemitério permite realizar múltiplos olhares sobre a cidade, graças às diferentes expressões de identidades culturais, simbologias e fatores históricos.

Aproveite o feriado contemplando as mais belas imagens e prestigiando os 455 anos de São Paulo!

DATA 25/01/2009 - 10:00hs

Ponto de encontro: Administração do cemitério (logo após a capela).
Obrigatório confirmar presença por email.
Serão inscritos apenas os 25 primeiros que confirmarem. Os demais ficarão na lista de espera.

Guias:

Glaucia Garcia de Carvalho (historiadora especialista em arte tumular)
Douglas Nascimento (fotógrafo e diretor do Museu Histórico da Portuguesa)

INSCRIÇÕES, INFORMAÇÕES e DÚVIDAS:

contato@saopaulorestaurada.com.br


Realização:
São Paulo Restaurada
http://www.saopaulorestaurada.com.br

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Arquivo Histórico Municipal 100 anos



O Arquivo Histórico Municipal Washington Luís completou 100 anos ontem. Instalado num dos edifícios mais bonitos da cidade que leva o nome do seu arquiteto (Ramos de Azevedo), é uma opção ótima para quem gosta da cidade e quer conhecer muito mais sobre a sua história.

Já tive o privilégio de passar algumas tardes perdidos entre documentos raríssimos e com conteúdos curiosíssimos como as famosas atas da Câmara Municipal que datam do século 16 e estão liberadas para cesso público. Ali podemos ver relatados fatos do cotidiano da cidade ao longo de vários séculos.

Outro ponto interessante é o acervo que conta a história das ruas de São Paulo, com a denominação original e, na maioria dos casos, o porque dos nomes também.

Hoje e amanhã estão programadas visitas monitoradas pelo prédio às 10 e as 14h, seguidas da exibição do excelente documentário ´´O Bom Retior é o Mundo´´ de André Klotzel, um dos 26 que compõesm a série ´´Documentários dos Bairros de São Paulo´´, projeto feito em parceria pelas secretarias municipais de cultura e educação.

Caso você não possa ir hoje e nem amanhã, não tem problema. O Arquivo Histórico é um dos poucos prédios públicos que podem ser visitadosaos sábados até as 16h30.

O endereço é Praça Coronel Fernando Prestes, 152, Bom Retiro. Para chegar lá, basta descer na estação Tiradentes do metrô. Para conhecer o site clique aqui.