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terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O monstro da Penha



Dias atrás, foi postada na lista de discussão do grupo Preserva São Paulo uma mensagem alertando para construção de um edifício exatamente em frente a histórica e tradicional catedral da Penha. Passando de trem consegui fotografar. Na imagem dá para perceber o absurdo arquitetônico que vai "esconder" umas dos mais antigos marcos da cidade de São Paulo. 

Foi naquela colina, por exemplo, que D. Pedro I avistou a cidade de São Paulo pouco antes de proclamar a independência do Brasil. A cidade estava agitada e, aconselhado por alguns de seus assistentes, decidiu permanecer ali até que tudo se acalmasse e ele pudesse entrar na cidade. 

Mas, pra quê preservar esse local não é mesmo? Deixemos que a volúpia imobiliária tome conta da paisagem de nossa cidade.  

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Ordem e Progresso




Esse é o lema que está bandeira do Brasil e que causou certa polêmica na última semana, quando o deputado federal e ex-candidato à Presidência da República Cristovam Buarque sugeriu que fosse retirada essa frase por conta das pessoas que não bem ler, e que a bandeira do Brasil seria excludente, etc e tal.

Mas porque em nossa bandeira temos essa expressão. O que significa?

Em meados do século XIX surgeu uma corrente de pensamento chamada positivismo, tendo como figura central o filósofo francês Auguste Comte. Ele defendia, entre outras coisas, que o progresso era a uma das únicas saídas para a evolução da humanidade:

"Uma sistematização real de todos os pensamentos humanos constitui, portanto, a nossa primeira necessidade social, igualmente relativa a ordem e ao progresso. O cumprimento gradual desta vasta elaboração filosófica fará surgir espontaneamente em todo o Ocidente uma nova autoridade moral, cujo inevitável prestígio lançará a base direta da reorganização final, ligando as diversas populações avançadas por uma mesma educação geral que fornecerá em todo o lado, para vida pública e para vida privada, princípios fixos de juízo e de conduta."

Durante o processo da proclamação da república os pensamentos de Comte faziam parte da leitura obrigatória das pessoas comprometidas em mudar o regime de governo no Brasil. Assim que o Marechal Deodoro da Fonseca proclamou oficalmente a República, tirando a monarquia de cena, os chamados "positivistas" começaram a colocar em prática as idéias de Comte.

O exemplo mais acabado desse fato é o lema "Ordem e Progresso", idealizado por Raimundo Teixeira Mendes, Miguel Lemos (ambos membros o Apostolado Positivista no Brasil). A bandeira foi aprovada por Deodoro da Fonseca em 19 de novembro de 1889, 4 dias depois da proclamação da República. Desde então o lema, assim como tudo que está na bandeira não mudou.

Ou seja, vivemos sob o lema do positivismo. Se isso é bom ou ruim, é difícil dizer. O certo é que poucas pessoas sabem disso, o que favorece que não haja uma discussão sobre esse significado cujo nosso país foi criado.

Leia mais sobre:

Positivismo

Auguste Comte

Bandeira do Brasil

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Tratado de Tordesilhas ou de laranjas?



Geralmente quando começamos a aprender matemática, os professores usam alguns exemplos para mostrar como se fazem contas. E geralmente usam laranjas. E foi mais ou menos assim que, em 1494, Espanha e Portugal resolveram um problema que insistia em martelar suas cabeças: dividir aquilo que eles possuíam, no caso, o mundo inteiro!!! Isso mesmo, você não leu errado. No século XV, esses dois países dominavam o planeta, graças ao seu poder nas navegações. Toda a tecnologia no uso das caravelas e navios, o conhecimento do mar e as técnicas para realizar o comércio dos bens que a Europa precisava pertencia a espanhóis e portugueses.

Já deu pra imaginar que dois países tão poderosos não conseguiam entrar em acordo sobre o que lhes pertencia. E aqui temos dois personagens: o rei dom João II de Portugal e a rainha Isabel da Espanha. Depois de muita negociação, os dois monarcas decidiram resolver a questão de maneira aparentemente simples: como se a terra fosse uma laranja, decidiram parti-la em duas fatias.

A rainha Isabel propôs que a divisão fosse feita por uma linha imaginária vertical que passava bem próximo do Brasil (que ainda não pertencia a ninguém). Dessa forma, todo continente que formaria a América e que havia sido descoberto por Cristóvão Colombo em 1492 ficaria nas mãos da Espanha. Desconfiado, dom João bateu o pé, reclamou e propôs um outro ´´corte´´ no mapa mundi: uma linha horizontal, que dividiria o planeta mais ou menos assim: tudo o que fosse descoberto ao norte da ilha de Cabo Verde seria da Espanha, pra baixo pertenceria a Portugal.

Foi a vez da rainha espanhola bater as tamancas. Afinal de contas, Portugal ficaria com o caminho livre para a nova rota para chegar as Índias, o que aumentaria o seu poder e sua riqueza. Fora isso, graças ao descobrimento de Colombo, os portugueses também teriam direito às novas terras, já que a América foi descoberta em terras que, pela proposta, pertenceriam a Lisboa. Estava criado o impasse.

Foram todos reclamar com o papa Alexandre VI. Na frente a Espanha, através do rei Fernando de Aragão (marido da rainha Isabel), que se lembrou de cobrar alguns favores que o líder do Vaticano, que era espanhol, lhe devia. O papa traçou outra linha horizontal que favorecia os espanhóis. A coisa ficou feia. D. João ficou revoltado, jurou que aquela situação não ficaria daquela forma e deixou claro que iria se unir com a França e declarar guerra a Espanha.

Depois de muita discussão e ameaças de conflito, Portugal conseguiu o que queria. ´´Arrastou´´ a linha mais para dentro do continente, quase dividindo o Brasil ao meio, com a desculpa que não era possível contornar a África em direção a Índia sem um espaço maior para manobras. A Espanha acabou aceitando e assinando o tratado, mas não sem levar uma gorda compensação financeira.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Pero Vaz de Caminha

Uma pesquisa rápida vai nos dizer quem foi o homem que escreveu o que hoje conhcemos como sendo a certidão de nascimento do Brasil: a Carta de achamento do Brasil para o rei de Portugal, D. Manuel. Mas porque ele foi escolhido para uma função tão importante? De onde ele veio e o que fazia?

Pero Vaz de Caminha nasceu na cidade do Porto m Portugal. Era de família rica, ou como se dizia na época, ''de boa cepa''. Seguia a profissão de seu pai: era escrivão. E dos mais competentes e importantes da época. Era responsável por anotar as taxas e impstos devidos ao Tesouro do reino, cargo que tinha o nome de mestre da Balança da Moeda. Nos dias de hoje, seria quase um ministro da economia.

Era funcionário público de carreira. E de confiança, muita confiança. O rei D. Manuel era o terceiro soberano de
Portugal para o qual trabalhava. Aos 50 anos e já avô, tinha recebido sua terceira nomeação como cavaleiro. Daí podemos imaginar que, a escolha do homem que registraria uma viagem tão importante. Além dessa tarefa, Pero Vaz embarcou promovido a outro cargo: o de responsável pela feitoria portuguesa em Calicute, a mais importante da coroa.

Mas, o que era para ser motivo de orgulho terminou em tragédia. Depois de três meses, Calicute foi atacada e os 50 ocupantes da feitoria, incluindo Pero Vaz de Caminha foram massacrados, sem chance de defesa.

Caminha morreu sem saber o tamanho da importância de sua carta. Em reconhecimento, D. Manuel atendeu a um pedido que constava no famoso texto: um pedido de perdão e o fim do exílio de seu genro, Jorge Osório.